Essa ferida, meu bem,às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.(...)
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 12 de outubro de 2008
"Sabe, às vezes, eu me lembro de coisas assim, de muitas coisas, como essa da menina - como se houvesse uma parte de mim que não envelheceu e que guardou. Guardou tudo, até o príncipe que um dia não veio mais. Não, não foi um dia que ele não veio mais, foram muitos dias, em muitos dias ele não veio mais, a água do mar salgava a nossa boca, o sol queimava a minha pele, eu tinha impressão de ser de couro, um couro ressecado, mal curtido. (..) Não sei, não sei até hoje se o príncipe era um deles. Eu não podia saber, ele não falava. E, depois, ele não veio mais. Eu dava um cavalo branco para ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas as coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos cocos, até com a minha carne eu construia um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria, e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo."Caio Fernando Abreu
sábado, 23 de agosto de 2008
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
sábado, 26 de janeiro de 2008
Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso
Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
No mundo há muitas armadilhas
No mundo há muitas armadilhas
e o que é armadilha pode ser refúgio
e o que é refúgio pode ser armadilha
Tua janela por exemplo
aberta para o céu
e uma estrela a te dizer que o homem é nada
ou a manhã espumando na praia
a bater antes de Cabral, antes de Tróia
(há quatro séculos Tomás Bequimão
tomou a cidade, criou uma milícia popular
e depois foi traído, preso, enforcado)
No mundo há muitas armadilhas
e muitas bocas a te dizer
que a vida é pouca
que a vida é louca
E por que não a Bomba? te perguntam.
Por que não a Bomba para acabar com tudo, já
que a vida é louca?
Contudo, olhas o teu filho, o bichinho
que não sabe
que afoito se entranha à vida e quera vida
e busca o sol, a bola, fascinado vê
o avião e indaga e indaga
A vida é pouca
a vida é louca
mas não há senão ela.E não te mataste, essa é a verdade.
Estás preso à vida como numa jaula.
Estamos todos presos
nesta jaula que Gagárin foi o primeiro a verde fora e nos dizer: é azul.
E já o sabíamos, tanto
que não te mataste e não vais te matar
e agüentarás até o fim.
O certo é que nesta jaula há os que têm
e os que não têm
há os que têm tanto que sozinhos poderiam
alimentar a cidade
e os que não têm nem para o almoço de hoje
A estrela mente
o mar sofisma.
De fato,o homem está preso à vida e precisa viver
o homem tem fome
e precisa comer
o homem tem filhos
e precisa criá-los
Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las.
Ferreira Gullar
e o que é armadilha pode ser refúgio
e o que é refúgio pode ser armadilha
Tua janela por exemplo
aberta para o céu
e uma estrela a te dizer que o homem é nada
ou a manhã espumando na praia
a bater antes de Cabral, antes de Tróia
(há quatro séculos Tomás Bequimão
tomou a cidade, criou uma milícia popular
e depois foi traído, preso, enforcado)
No mundo há muitas armadilhas
e muitas bocas a te dizer
que a vida é pouca
que a vida é louca
E por que não a Bomba? te perguntam.
Por que não a Bomba para acabar com tudo, já
que a vida é louca?
Contudo, olhas o teu filho, o bichinho
que não sabe
que afoito se entranha à vida e quera vida
e busca o sol, a bola, fascinado vê
o avião e indaga e indaga
A vida é pouca
a vida é louca
mas não há senão ela.E não te mataste, essa é a verdade.
Estás preso à vida como numa jaula.
Estamos todos presos
nesta jaula que Gagárin foi o primeiro a verde fora e nos dizer: é azul.
E já o sabíamos, tanto
que não te mataste e não vais te matar
e agüentarás até o fim.
O certo é que nesta jaula há os que têm
e os que não têm
há os que têm tanto que sozinhos poderiam
alimentar a cidade
e os que não têm nem para o almoço de hoje
A estrela mente
o mar sofisma.
De fato,o homem está preso à vida e precisa viver
o homem tem fome
e precisa comer
o homem tem filhos
e precisa criá-los
Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las.
Ferreira Gullar
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Queria poder amar um pouco menos, falar um pouco menos, reclamar menos pela manhã. Esperar um pouco menos, complicar menos. Menos ansiedade, menos expectativa. Menos palavras de amor, porque elas podem ter menos respostas ainda. Menos voltas ao passado, porque elas podem me fazer sentir menor do que já sou. Menos entrega, porque ela pode não ter devolução.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Houve um tempo em que os namorados se comunicavam através de flores: não sei se diriam sempre coisas belas, mas as palavras de que se utilizavam eram rosas, cravos e cravinas, dálias e violetas, um dicionário imenso e colorido, que se dispunha de diferentes modos, como fazem os poetas. Lia-se em flores como, hoje, através do alfabeto. Talvez com essa linguagem poética as pessoas se entendessem melhor.De Cecília Meireles.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Herbarium (trecho)
Numa alegria desatinada fui colhendo as folhas, mordi goiabas verdes, atirei pedras nas árvores, espantando os passarinhos que cochichavam seus sonhos, me machucando de contente entre a galharia. Corri até o córrego. Alcancei uma borboleta e prendendo-a pelas pontas das asas deixei-a na corola de uma flor. Te solto no meio do mel, gritei-lhe. O que vou receber em troca?
Lygia Fagundes Telles
Lygia Fagundes Telles
domingo, 6 de janeiro de 2008
sábado, 5 de janeiro de 2008
Se eu fosse
Se eu fosse um mês, eu seria: Maio
Se eu fosse um dia da semana: Sexta-feira
Se eu fosse uma hora do dia: 21 horas
Se eu fosse um planeta ou astro: Netuno
Se eu fosse uma direção: Sul
Se eu fosse um móvel: Cama
Se eu fosse um líquido: Leite
Se eu fosse um pecado: Preguiça
Se eu fosse uma pedra: Esmeralda
Se eu fosse uma árvore: Ipê roxo
Se eu fosse uma fruta: Melancia
Se eu fosse uma flor: Margarida
Se eu fosse um clima: Mediterrânico
Se eu fosse um instrumento musical: Piano
Se eu fosse um elemento: Água
Se eu fosse uma cor: Azul
Se eu fosse um bicho: Pinguim
Se eu fosse um som: Riso...
Se eu fosse uma música: Here comes the sun – The beatles
Se eu fosse um estilo musical: Classic rock
Se eu fosse um sentimento: Lealdade
Se eu fosse um livro: O pequeno príncipe - Antoine de Saint-Exupéry
Se eu fosse uma comida: Bolo de chocolate
Se eu fosse um lugar: Montanha
Se eu fosse um gosto: Doce
Se eu fosse um cheiro: Baunilha
Se eu fosse uma palavra: Carinho
Se eu fosse um verbo: Viver
Se eu fosse um objeto: Luneta
Se eu fosse uma parte do corpo: Olhos
Se eu fosse uma expressão facial: Surpresa
Se eu fosse um desenho animado: Peanuts
Se eu fosse um filme: O fabuloso destino de Amelie poulain
Se eu fosse um número: 5
Se eu fosse uma estação: Outono
Se eu fosse uma frase: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. Antoine de Saint-Exupéry
Se eu fosse um dia da semana: Sexta-feira
Se eu fosse uma hora do dia: 21 horas
Se eu fosse um planeta ou astro: Netuno
Se eu fosse uma direção: Sul
Se eu fosse um móvel: Cama
Se eu fosse um líquido: Leite
Se eu fosse um pecado: Preguiça
Se eu fosse uma pedra: Esmeralda
Se eu fosse uma árvore: Ipê roxo
Se eu fosse uma fruta: Melancia
Se eu fosse uma flor: Margarida
Se eu fosse um clima: Mediterrânico
Se eu fosse um instrumento musical: Piano
Se eu fosse um elemento: Água
Se eu fosse uma cor: Azul
Se eu fosse um bicho: Pinguim
Se eu fosse um som: Riso...
Se eu fosse uma música: Here comes the sun – The beatles
Se eu fosse um estilo musical: Classic rock
Se eu fosse um sentimento: Lealdade
Se eu fosse um livro: O pequeno príncipe - Antoine de Saint-Exupéry
Se eu fosse uma comida: Bolo de chocolate
Se eu fosse um lugar: Montanha
Se eu fosse um gosto: Doce
Se eu fosse um cheiro: Baunilha
Se eu fosse uma palavra: Carinho
Se eu fosse um verbo: Viver
Se eu fosse um objeto: Luneta
Se eu fosse uma parte do corpo: Olhos
Se eu fosse uma expressão facial: Surpresa
Se eu fosse um desenho animado: Peanuts
Se eu fosse um filme: O fabuloso destino de Amelie poulain
Se eu fosse um número: 5
Se eu fosse uma estação: Outono
Se eu fosse uma frase: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. Antoine de Saint-Exupéry
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Quanto mais ando, querendo pessoas, parece que entro mais no sozinho do vago... - foi o que pensei na ocasião. De pensar assim me desvalendo. Eu tinha culpa de tudo, na minha vida, e não sabia como não ter. Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo; que, quando notei que estava com dor-de-cabeça, e achei que por certo a tristeza vinha era daquilo, isso até me serviu de bom consolo. E eu nem sabia mais o montante que queria, nem aonde eu extenso ia. Guimarães Rosa, in Grande Sertão
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